Igraine
A duquesa de Tintagel, mãe de Arthur
Igraine é a mãe de Arthur. Casada com o duque da Cornualha, é enganada por Uther Pendragon, que entra em Tintagel disfarçado de seu marido graças à magia de Merlin, e depois se torna rainha.
Na lenda
Igraine aparece na história como a mulher mais bela da Bretanha, casada com o duque da Cornualha. Uther Pendragon a vê num banquete e se apaixona. Ela conta ao marido, e o casal parte sem se despedir do rei, o que dá a Uther o pretexto para fazer guerra. O duque a abriga em Tintagel, castelo quase inexpugnável à beira do mar, e ele mesmo se fortifica em outro lugar.
Merlin dá a Uther a aparência do duque, e Igraine recebe o falso marido em Tintagel. Em Geoffrey, o duque morre numa investida durante o cerco, e os mensageiros que levam a notícia a Tintagel se espantam ao encontrar o “duque” vivo ao lado da esposa. Em Malory, o duque já estava morto havia três horas. Igraine não percebe a fraude. Em Malory, é meses depois, já grávida, que o rei lhe revela a verdade. Os dois se casam, e o filho que ela espera é Arthur.
Em Malory, a criança é entregue a Merlin ao nascer, como combinado, e Igraine nunca mais a vê. Os anos passam. Quando Arthur já é rei, o cavaleiro Ulfius a acusa diante da corte de ter calado o segredo do nascimento, e ela se defende. Merlin, então, pega o rei pela mão e lhe diz: “esta é a vossa mãe”. Arthur a abraça, e os dois choram. Em Geoffrey, ela vive feliz com Uther e tem outro filho, uma menina chamada Anna.
Origens e fontes
O galês Culhwch ac Olwen já fala de uma mãe de Arthur, sem lhe dar nome. O nome Eigyr aparece nas versões galesas posteriores da Historia Regum Britanniae, e o nome latino Igerna vem do próprio Geoffrey, que também inventa o episódio de Tintagel (c. 1136). A cena do disfarce é, desde então, o centro de todas as versões do nascimento de Arthur.
Cada autor lhe dá uma família diferente. Em Malory, Igraine é mãe, com o duque, de três meninas: Elaine, que se casa com o rei Nentres de Garlot, Morgause, que se casa com o rei Lot e é mãe de Gawain, e Morgana, mandada a um convento, onde aprende necromancia, e depois casada com o rei Uriens. Em Robert de Boron e na Vulgata os números e os nomes mudam. Em Chrétien de Troyes e em autores alemães, uma Igraine ainda viva é encontrada por Gawain num castelo encantado, o Castelo das Maravilhas.
Como mudou ao longo do tempo
Em Geoffrey, Igraine tem pouco espaço próprio: é o objeto da disputa entre dois homens. Os romances posteriores lhe dão uma família numerosa e, com ela, os sobrinhos de Arthur. O número e os nomes das irmãs de Arthur variam muito de uma fonte para outra: Geoffrey conhece só Anna, enquanto Malory fala de Morgause, Elaine e Morgan. A versão moderna mais conhecida segue Malory, mas costuma reduzir as três filhas a Morgana.
Também mudou o peso moral da noite em Tintagel. Em alguns romances atuais, o ato de Uther é tratado como violência e como a origem do ódio de Morgana pela família. Em outros, como The Crystal Cave (Mary Stewart) e As Brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley), o plano só dá certo porque a própria Igraine o deseja.
Nas adaptações
No filme Excalibur (1981), de John Boorman, Igrayne é interpretada por Katrine Boorman, filha do diretor. Em As Brumas de Avalon, é irmã de Viviane e de Morgause. Na série Merlin, da BBC (2008–2012), Ygraine já morreu antes da trama, e sua morte explica a perseguição de Uther aos magos.
Fontes e leituras
- Geoffrey de Monmouth, Historia Regum Britanniae (c. 1136), Livro VIII, tradução de Aaron Thompson revista por J. A. Giles.
- Thomas Malory, Le Morte d’Arthur, Livro I (Project Gutenberg #1251).
- Culhwch ac Olwen, no Mabinogion (tradução de Lady Charlotte Guest).
- Chrétien de Troyes, Perceval, o Conto do Graal (c. 1180).
- Camelot Project, Universidade de Rochester.
O rei Uther veio a mim no castelo de Tintagil à semelhança de meu senhor, que estava morto três horas antes, e assim gerou em mim uma criança naquela noite.
Veja também
Nota do Historiador
Igraine (Igerna em latim) aparece pela primeira vez no relato de Geoffrey de Monmouth, no século XII. Fora da tradição literária não há nenhum registro dela, e até o nome do primeiro marido varia de texto para texto.