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REI ARTURHistória e lenda

Igraine

A duquesa de Tintagel, mãe de Arthur
Desenho a lápis de um cavaleiro de cota de malha que ampara nos braços uma mulher de cabelos longos, reclinada sobre a relva numa floresta; a assinatura 'W. Benda 1903' aparece no canto inferior
W. Benda (assinatura na imagem), ilustração de 1903 para Uther and Igraine · Public domain · Fonte

Igraine é a mãe de Arthur. Casada com o duque da Cornualha, é enganada por Uther Pendragon, que entra em Tintagel disfarçado de seu marido graças à magia de Merlin, e depois se torna rainha.

Na lenda

Igraine aparece na história como a mulher mais bela da Bretanha, casada com o duque da Cornualha. Uther Pendragon a vê num banquete e se apaixona. Ela conta ao marido, e o casal parte sem se despedir do rei, o que dá a Uther o pretexto para fazer guerra. O duque a abriga em Tintagel, castelo quase inexpugnável à beira do mar, e ele mesmo se fortifica em outro lugar.

Merlin dá a Uther a aparência do duque, e Igraine recebe o falso marido em Tintagel. Em Geoffrey, o duque morre numa investida durante o cerco, e os mensageiros que levam a notícia a Tintagel se espantam ao encontrar o “duque” vivo ao lado da esposa. Em Malory, o duque já estava morto havia três horas. Igraine não percebe a fraude. Em Malory, é meses depois, já grávida, que o rei lhe revela a verdade. Os dois se casam, e o filho que ela espera é Arthur.

Em Malory, a criança é entregue a Merlin ao nascer, como combinado, e Igraine nunca mais a vê. Os anos passam. Quando Arthur já é rei, o cavaleiro Ulfius a acusa diante da corte de ter calado o segredo do nascimento, e ela se defende. Merlin, então, pega o rei pela mão e lhe diz: “esta é a vossa mãe”. Arthur a abraça, e os dois choram. Em Geoffrey, ela vive feliz com Uther e tem outro filho, uma menina chamada Anna.

Origens e fontes

O galês Culhwch ac Olwen já fala de uma mãe de Arthur, sem lhe dar nome. O nome Eigyr aparece nas versões galesas posteriores da Historia Regum Britanniae, e o nome latino Igerna vem do próprio Geoffrey, que também inventa o episódio de Tintagel (c. 1136). A cena do disfarce é, desde então, o centro de todas as versões do nascimento de Arthur.

Cada autor lhe dá uma família diferente. Em Malory, Igraine é mãe, com o duque, de três meninas: Elaine, que se casa com o rei Nentres de Garlot, Morgause, que se casa com o rei Lot e é mãe de Gawain, e Morgana, mandada a um convento, onde aprende necromancia, e depois casada com o rei Uriens. Em Robert de Boron e na Vulgata os números e os nomes mudam. Em Chrétien de Troyes e em autores alemães, uma Igraine ainda viva é encontrada por Gawain num castelo encantado, o Castelo das Maravilhas.

Como mudou ao longo do tempo

Em Geoffrey, Igraine tem pouco espaço próprio: é o objeto da disputa entre dois homens. Os romances posteriores lhe dão uma família numerosa e, com ela, os sobrinhos de Arthur. O número e os nomes das irmãs de Arthur variam muito de uma fonte para outra: Geoffrey conhece só Anna, enquanto Malory fala de Morgause, Elaine e Morgan. A versão moderna mais conhecida segue Malory, mas costuma reduzir as três filhas a Morgana.

Também mudou o peso moral da noite em Tintagel. Em alguns romances atuais, o ato de Uther é tratado como violência e como a origem do ódio de Morgana pela família. Em outros, como The Crystal Cave (Mary Stewart) e As Brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley), o plano só dá certo porque a própria Igraine o deseja.

Nas adaptações

No filme Excalibur (1981), de John Boorman, Igrayne é interpretada por Katrine Boorman, filha do diretor. Em As Brumas de Avalon, é irmã de Viviane e de Morgause. Na série Merlin, da BBC (2008–2012), Ygraine já morreu antes da trama, e sua morte explica a perseguição de Uther aos magos.

Fontes e leituras

  • Geoffrey de Monmouth, Historia Regum Britanniae (c. 1136), Livro VIII, tradução de Aaron Thompson revista por J. A. Giles.
  • Thomas Malory, Le Morte d’Arthur, Livro I (Project Gutenberg #1251).
  • Culhwch ac Olwen, no Mabinogion (tradução de Lady Charlotte Guest).
  • Chrétien de Troyes, Perceval, o Conto do Graal (c. 1180).
  • Camelot Project, Universidade de Rochester.
O rei Uther veio a mim no castelo de Tintagil à semelhança de meu senhor, que estava morto três horas antes, e assim gerou em mim uma criança naquela noite.
— Thomas Malory, Le Morte d'Arthur, Livro I, cap. XXI (Gutenberg #1251, divisão de capítulos do Gutenberg), em tradução nossa

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