Camelot (1967)
A promessa de Camelot como musical de cinemaFilme musical dirigido por Joshua Logan, adaptação do espetáculo da Broadway de Lerner e Loewe, baseado em The Once and Future King, de T. H. White. Richard Harris é Arthur, Vanessa Redgrave é Guinevere e Franco Nero é Lancelot.
Sinopse
O filme começa na véspera de uma batalha. O rei Arthur, sozinho, lembra como tudo começou. Casou-se por arranjo com Guinevere, a princesa que a princípio fugira da ideia, e criou a Távola Redonda, em que a força seria usada a serviço do direito. A corte floresce, as canções celebram a primavera de Camelot e a chegada de Lancelot, vindo da França, promete ainda mais glória.
O idílio acaba quando Lancelot e Guinevere se apaixonam. Mordred, filho de Arthur e de uma meia-irmã do rei, chega à corte disposto a destruir o pai e denuncia o romance. Guinevere é condenada à fogueira e Lancelot a resgata, o que obriga o rei a combater o antigo amigo. Na noite anterior à batalha, Arthur encontra um menino, Tom, e o arma cavaleiro, pedindo que leve adiante a ideia de Camelot.
Produção
O filme adapta o musical de Alan Jay Lerner e Frederick Loewe, estreado na Broadway em 1960 e inspirado no romance The Once and Future King, de T. H. White. A direção foi de Joshua Logan, e o roteiro, de Lerner. Richard Harris interpreta Arthur. Vanessa Redgrave faz Guinevere, e Franco Nero, Lancelot; a voz cantada de Nero foi dublada por Gene Merlino. Merlin é vivido por Laurence Naismith.
A passagem do palco para a tela muda a escala da corte. Cenários, figurinos e enquadramentos podem dar materialidade à promessa que as canções descrevem. Ao mesmo tempo, o cinema precisa decidir como alternar intimidade e espetáculo. Essa tensão é uma chave de leitura da adaptação, independentemente da avaliação que cada espectador faça de seu ritmo.
O que muda em relação à lenda
O musical parte de White, que por sua vez reescreveu Malory, e por isso a infância de Arthur, a espada na pedra e boa parte do início da lenda não aparecem. A trama acompanha apenas o reinado, o triângulo amoroso e a queda. Arthur é um idealista que quer transformar a violência em lei, uma figura bem distante do chefe guerreiro das fontes galesas. Guinevere, em Malory uma rainha que acaba num convento, aqui é uma mulher dividida entre dois homens que ama e respeita.
Mordred, que em Malory é filho de Arthur com Morgause, torna-se o vilão por excelência e seu estratagema político é decisivo. A ausência do Graal é notável, já que a busca do Graal é central em Malory e nas fontes francesas. Em lugar do trágico fim em Camlann e da viagem a Avalon, o filme termina com a esperança simbólica do menino Tom, o que ecoa a imagem de “rei que virá”.
Recepção e legado
O filme permite observar como uma imagem de justiça pode sobreviver ao fracasso dos personagens. A presença do menino Tom no encerramento desloca o resultado da ação: a ideia de Camelot precisa ser contada a outros, mesmo quando seus participantes não conseguem preservá-la.
Essa passagem da instituição à memória é uma leitura importante do musical. O nome também foi associado à lembrança dos anos Kennedy, mas a associação já estava ligada ao espetáculo de palco e não deve ser apresentada como invenção do filme de 1967. A obra cinematográfica participa de uma circulação cultural anterior a ela.
Fontes e leituras
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T. H. White, The Once and Future King (1958).
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Alan Jay Lerner e Frederick Loewe, Camelot (1960).
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Wikipédia em inglês, “Camelot (film)”: https://en.wikipedia.org/wiki/Camelot_(film)
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AFI Catalog, Camelot, ficha de produção e sinopse.
Veja também
Nota do Historiador
Camelot, como lugar, não existe nas fontes mais antigas e só ganha destaque em Chrétien de Troyes, no século XII. O filme o transforma num símbolo de civilização e justiça, uma leitura literária que não constitui comprovação sobre a Britânia do século V.