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REI ARTURHistória e lenda

Livro Negro de Carmarthen

Página do Livro Negro de Carmarthen com versos em galês, uma inicial vermelha e um desenho de animal na margem inferior
Biblioteca Nacional do País de Gales, meados do século XIII · CC0 · Fonte

O Livro Negro de Carmarthen é um manuscrito galês medieval que conserva poemas associados a Arthur, Cei e Myrddin. A data da cópia não é a data de composição de todos os poemas que contém.

Um livro que preserva muitas vozes

O nome Livro Negro se refere ao manuscrito e à tradição de sua encadernação, não a um tratado de magia. O volume conserva poesia religiosa e secular em galês. Entre seus materiais estão poemas importantes para o estudo de Arthur e de Myrddin, figura que não deve ser confundida sem explicação com todas as versões continentais de Merlin.

O poema conhecido como Pa gur coloca Arthur em diálogo com um porteiro e recorda os feitos de seus companheiros. Cei ocupa uma posição heroica que contrasta com o senescal mordaz de muitos romances franceses. O texto permite reconhecer um repertório arturiano diferente do que o público costuma conhecer por Malory.

Outros poemas se ligam a Myrddin e a paisagens e memórias de conflito. O manuscrito não organiza tudo numa vida contínua de um mago ou de um rei. Ler seus poemas como fragmentos de um romance perdido pode esconder sua forma e sua função próprias.

A cópia e a antiguidade do material

A Biblioteca Nacional do País de Gales situa o manuscrito no século XIII. Alguns materiais podem preservar tradições anteriores, mas a idade de cada poema precisa ser discutida com argumentos específicos. A simples presença de um nome antigo não transforma a página numa testemunha contemporânea do século VI.

A consulta ao fac-símile ajuda a distinguir o objeto material de uma tradução moderna. Grafia, organização da página e intervenções do copista fazem parte da história do texto. Edições e traduções tornam a leitura possível a um público maior, mas também incluem escolhas de interpretação.

Para a história arturiana, o livro é valioso porque mostra que a tradição galesa não pode ser reduzida a uma preparação imperfeita dos romances franceses. Ela possui personagens, ênfases e modos de narrar próprios. O códice é evidência da cultura manuscrita medieval e da preservação dessas tradições; não uma certificação documental das façanhas maravilhosas que seus poemas recordam.

Fontes e leituras

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